Quando não há nada que possamos fazer

 

“Pela manhã cedo, se levantaram e saíram ao deserto de Tecoa; ao saírem eles, pôs-se Josafá em pé e disse: Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis.”
(2 Crônicas 20:20)

 

            O rei Josafá reinou em Judá entre 870-848 a.C., sua história está registrada na Bíblia em 2 Crônicas 17:1-20:37, sendo ele o primeiro rei avivalista e reformador a trazer verdadeiros resultados, embora o alicerce de seu reino tenha sido preparado por seu pai, Asa (1 Rs 15:8-24). Durante o reinado de Josafá existiu um tempo de relativa paz com todas as nações, construiu fortalezas (12 castelos) e cidades armazéns. Ele teve um exército de 1.160.000 homens (2 Cr 17:10-19).

Mas, Josafá também cometeu erros. Ele se aparentou e fez aliança com Acabe, um rei iníquo de Israel (1 Rs 16:29-34; 2 Cr 18:1-3), tendo ido a guerra com Acabe a quem seus falsos profetas prometeram vitória (2 Cr 18.4-11), mas, através do profeta Micaías, Deus reprovou a aliança, bem como o fato e a forma pela qual foi selada, através de um casamento. Micaías posicionou-se como um fiel porta-voz de Deus. Até mesmo o seu aprisionamento, e a sua alimentação restrita a pão e água foram insuficientes para fazer com que este homem de Deus se tornasse transigente com os erros dos monarcas (2 Cr 18:12-27).

            Por causa de sua aliança não aprovada pelo Senhor, Josafá correu um risco desnecessário na batalha, por isso, clamou ao Senhor e pediu perdão a tempo de ser salvo (2 Cr 18:28-34), sendo Josafá repreendido diretamente pelo profeta Jeú por sua aliança imprópria com o iníquo Acabe (2 Cr 19:1-3). Mas, apesar deste terrível ato, que teria futuras repercussões na história de Judá, ele foi capaz de manter um contínuo avivamento por toda a terra. Mas, as consequências que se seguiram não poderiam ser refreadas, seu ato “isolado” foi danoso para o reavivamento promovido por Josafá, e superou os benefícios trazidos pelos longos anos de sua reforma (2 Cr 20:1-3).

            Num momento em que tudo parecia tranquilo, uma “grande multidão” de inimigos se coligaram e marcharam contra Judá (2 Cr 20:1-2). O rei Josafá e seu povo se depararam com o tipo de dilema que todos nós enfrentamos mais de uma vez na vida: “não sabemos nós o que faremos”. Mas ele, também tinha o recurso para a solução do problema, que está à disposição de todo o verdadeiro servo de Deus: “os nossos olhos estão postos em ti” (2 Cr 20:12). Aprendemos com o rei Josafá que em momentos de crise, a oração é uma fonte de força capaz de nos fazer recordar experiências prévias em que fomos ajudados por Deus. O rei, juntamente como todo o povo, invocou o Deus de seus pais, e relembrou libertações ocorridas no passado (2 Cr 20:4-13).

            Há momentos em nossa vida que parece que seremos destruídos pelo inimigo, que não há escapatória para nós, nos resta apenas orar a Deus. A situação de Josafá e seu povo, naquele instante, era um destes momentos (2 Cr 20:12-13). E diante do clamor sincero, Deus respondeu através do levita Jaaziel: “Não tereis de pelejar; parai, estai em pé e vede a salvação do Senhor para convosco” (2 Cr 20:14-17). Tanto o rei Josafá quanto todo o povo se prostraram para adorar e exaltar a Deus, enquanto os levitas o adoravam de uma forma especial (2 Cr 20:18-19).

            E passado aquele momento de “exaltação” e “adoração” a Deus, no dia seguinte, a única coisa que coube a Josafá, bem como a todo o povo, foi crer na palavra dada por Jaaziel (Jo 11:40; Hb 11:1-2,6). Deus já tinha dado sua palavra, ele não mandou o rei ou qualquer do povo fazer a mínima coisa possível, afinal, a “batalha era do Senhor” (2 Cr 20:15), e a libertação seria pela mão de Deus, e não por qualquer outro meio. Neste sentido, o rei Josafá usa esse pensamento encorajador para motivar o povo a crer e esperar na ação do Deus Vivo, disse ele: “Ouvi-me, ó Judá e vós, moradores de Jerusalém! Crede no SENHOR, vosso Deus, e estareis seguros; crede nos seus profetas e prosperareis.” (2 Cr 20:20).

            Ao invés da arca, os levitas lideraram o exército e cantavam a beleza da santidade e o imutável amor do seu Deus (2 Cr 20:21). Como o Senhor havia prometido, Judá não precisou lutar. Uma disputa interna surgiu entre os soldados que os atacariam, e estes lutaram uns contra os outros. Nem sequer um dos inimigos escapou (2 Cr 20:22-24). Os soldados de Judá despojaram os corpos mortos de seus inimigos durante três dias, e recolheram mais joias do que podiam carregar. O jubiloso retorno a Jerusalém, com voz alta e tocando os seus instrumentos, foi uma ocasião alegre para toda a terra de Judá. Outras nações, ao ouvirem falar da ajuda que Deus dera a este povo, deixaram o pequeno país em paz (2 Cr 20:25-30).

            Podemos concluir deste pequeno estudo é que:

– nem todas as alianças são benéficas para que tenhamos sucesso mesmo achando que é para “glória de Deus” (2 Cr 18:3);

– que mesmo que haja “profecias” nos animando e seja de acordo com nossas expectativas, precisamos sempre consultar a Deus (2 Cr 18:4-7) ou, como diz Paulo: “julgar a profecia” (1 Co 14:29; 1 Ts 5:20-22);

– que sempre haverá no meio do povo de Deus profetas de verdade que sempre falarão o que precisamos ouvir e não o que queremos ouvir (2 Cr 18:12-13);

– que no meio do povo de Deus há pessoas que se deixam ser usadas por espíritos enganadores e mentirosos (2 Cr 18:18-24; 1 Tm 4:1-2);

– que há posição de destaque que não é vinda de Deus, que pessoas podem nos usar para esconder suas falhas e estas posições nos coloca em perigo iminente e desnecessário (2 Cr 18:29-34);

– que quando constatarmos nossos erros, devemos imediatamente nos arrepender e clamar pela misericórdia de Deus, não sendo preciso esperar chegar a um momento de extremo perigo para clamar por salvação  (2 Cr 18:31-32);

– que mesmo que façamos muita coisa certa diante do Senhor, nossos atos errados gerarão consequências para nós mesmos e para os que estão a nossas volta (2 Cr 19:1-3; 20:1-2);

–  que em momentos de medo, insegurança, angústia, para quem serve a Deus verdadeiramente, existe uma única solução se humilhar e orar a Deus (2 Cr 20:3-13);

– que a oração sincera, feita por quem tem intimidade com Deus, sempre será respondida de forma imediata (2 Cr 20:14-19).

 Além disto, podemos concluir que em todas as “nossas lutas”, é necessário inicialmente orar e então empreender todo o esforço humano natural de conformidade com a orientação de Deus. Mas, que também existem outros tipos de vitórias que são totalmente espirituais, que depende apenas de nossa atitude de fé e obediência ao nosso Deus, não sendo necessário fazermos nada, apenas crer (Sl 46:10-11; Lm 3:26; Is 41:10).

É como ouvi e aprendi de um amigo, há coisas que é para o homem fazer, e Deus não vai ajudar (Jo 11:39,44); outras coisas Deus faz, mas conta com a participação do homem (Jo 2:3-11), mas há coisa que só Deus pode fazer, nessas o homem precisa apenas crer e ter confiança, ou seja, confiar com esperança (Sl 40:1; Rm 8:24-25).

          Sendo assim, quando não há nada que possamos fazer, só nos resta crer e confiar em DEUS. Em todo esse tempo de convivência com outros cristãos, tenho visto que essa é a ação mais difícil de ser tomada na vida de muitas pessoas. Quando Ele nos manda “aquietar e confiar nEle” (Êx 14:13-14; Is 30:15) só nos resta confiar e obedecer. Você é capaz de ter essa paz confiante?

Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus.” (Filipenses 4:6-7)

 

           Que DEUS nos abençoe! E que o Espírito Santo fale aos nossos corações!

 

Observação: O conteúdo histórico do texto acima é baseado no “Comentário Bíblico Beacon” – CPAD.

 

Anderson Fazzion,
Coordenador do CIM – WH Brasil


Para contato e saber mais sobre o CIM WH Brasil, acesse:

Cuidado Integral do Missionário – WH Brasil.


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