Biografias – Hudson Taylor

O pai das missões no interior da China

(1832-1905)


 

Nenhum outro missionário nos dezenove séculos desde o apóstolo Paulo teve uma visão mais ampla e usou um plano mais sistematizado para evangelizar uma grande área geográfica como Hudson Taylor.” (Ruth Tucker, historiador).


Introdução

James Hudson Taylor, nascido em 21 de maio de 1832 em Barnsley, Yorkshire, Inglaterra (faleceu em 3 de junho de 1905, aos 73 anos em Changsha, Hunan, China), foi um missionário Cristão na China, e fundador do China Inland Mission (CIM – agora OMF International).

Taylor viveu na China por 51 anos. A sociedade que ele iniciou foi responsável pelo envio de mais de 800 missionários ao país que começaram 125 escolas e diretamente resultou na conversão Cristã de 18.000 pessoas, também como no estabelecimento de mais de 300 estações de trabalho com mais de 500 colaboradores locais em todas as dezoito províncias.

Taylor era conhecido por sua sensibilidade à cultura chinesa e zelo pelo evangelismo. Ele adotou a prática de usar roupas nativas da China mesmo quando isso era raro entre os missionários da época. Sob a sua liderança, a CIM era singularmente não-denominacional na prática e aceitava membros de todos os grupos Protestantes, incluindo indivíduos da classe de trabalho, mulheres solteiras e recrutas multinacionais, também.

Primeiramente por causa da campanha do CIM contra o comércio do Ópio, Taylor foi citado como um dos Europeus mais significantes a visitar a China no Século XIX. Taylor teve a oportunidade de pregar em várias variedades de Chinês, incluindo o Mandarim, Teochew dialeto Chaozhou, e os dialetos Wu do Xangai e Ningbo. O último destes ele conhecia o bastante para ajudar a preparar uma edição coloquial do Novo Testamento escrito nessa língua.


 

Influencias de um lar cristão

O lar deve ser um refúgio diante das tentações do mundo e dos pecados. Deve ser um lugar onde reine o amor de Deus, cheio de paz e alegria. Mas, infelizmente, não são assim a maioria dos lares cristãos. Os pais discutem entre si, quase nunca se sentam juntos com toda a família para comer na mesma mesa, faltam membros da família em muitos dos cultos públicos da igreja e em muitos lares falta o culto diário familiar.

E para animar aos pais no que fazer diante desta falta, são dadas estas “Histórias do Lar” de cristãos muito conhecidos. Nem toda biografia de um “lar” encontramos apenas boas condutas, doutrinas e práticas das pessoas que dele fazem parte, veja o exemplo de Davi na própria Bíblia. Contudo, podemos aprender dos pontos corretos e descartar os demais.

James Hudson Taylor, era de família metodista, e recebeu muita influência espiritual de seus pais e avós, bem como seus irmãos William e Amélia. Seu pai, um farmacêutico, sempre teve preocupação com a condição espiritual da China, e sempre que tinha oportunidade, realizava reuniões especiais para discutir como poderia ajudar aquele tão grande país.

Quando Hudson tinha apenas cinco anos, ele disse ao seu pai: “Quando eu crescer serei um missionário na China”. Apesar desta afirmação, os anos de adolescência de Hudson foram conturbados, e as influências de amigos não lhe ajudaram. Como adolescente ele se distanciou das crenças cristãs de seus pais até seus 17 anos. Porém, sua mãe e irmã não cessavam de interceder por ele.


 

Conversão e Chamada

Tudo começou, para Hudson Taylor, na tranquilidade de uma hora de meditação passada entre os livros do pai, quando o jovem buscava alguma coisa que pudesse despertar-lhe o interesse. A mãe não estava em casa e o rapaz se ressentia dessa ausência.

A casa lhe parecia vazia. Tomou então um livrinho de histórias que achara no quarto de despejo, e achando que o assunto era interessante, levou-o para ler, recolhido a um cantinho onde se acomodou o melhor que pôde.

A muitos quilômetros dali, naquele mesmo momento, sua mãe sentiu um peso na alma, uma responsabilidade especial pela vida espiritual do filho. Deixando as companheiras, retirou-se para ficar a sós e rogar a Deus pela salvação dele. Horas seguidas aquela mãe deixou-se ficar prostrada de joelhos em oração, até que sentiu a alma inundada da certeza feliz de que aquelas orações haviam sido ouvidas e estavam sendo respondidas.

Um pouco mais tarde, quando, ao pegar um caderno de sua irmã que pensara ser o seu, encontrou numa página escrita por ela, a resolução que tomara de orar diariamente, até que Deus a atendesse, concedendo a conversão de seu único irmão. A jovem havia escrito isso fazia, exatamente, um mês. Hudson escreveu:

Criado nesse ambiente e salvo em tais circunstancias, talvez fosse natural que desde o princípio de minha vida cristã eu tenha sido levado a sentir que as promessas da Bíblia são totalmente verdadeiras, e que a oração é, de fato, um acordo que se mantém com Deus, seja em benefício próprio, seja em benefício daqueles para quem se busca a bênção divina”.

Assim, em junho de 1849, aos dezessete anos, ao ler um folheto escrito pelo seu pai acerca da obra de Cristo, Hudson compreendeu o plano da salvação, e como resultado, entregou sua vida a Jesus. Neste mesmo ano, sentiu a chamada do Senhor para trabalhar como missionário na China.

Ao dizer sim à chamada, começou a se preparar em todos os aspectos de sua vida, a fim de atingir o objetivo de evangelizar a China. Logo começou a aprender o Mandarim através de uma cópia do Evangelho de Lucas. Hudson também soube da grande necessidade de médicos na China, por isso, começou a estudar medicina, a fim de estar preparado para o campo em que iria trabalhar.

Seu treinamento médico começou na cidade de Hull e continuou em Londres. Além disso, estudou Teologia, Latim e Grego. Por saber que deveria depender totalmente de Deus para o seu sustento diário na China, Hudson muitas vezes colocava-se em situações para provar sua própria fidelidade e confiança em Deus. Enquanto estava em Hull, vivia basicamente se alimentando de aveia e arroz, e grande parte do seu salário ofertava para a obra do Senhor.

Um certo dia, quando evangelizava os pobres, um certo homem lhe pediu que fosse orar por sua esposa que estava morrendo em casa. Ao chegar ali, viu uma casa cheia de crianças passando fome, e a mãe que estava muito enferma. Compadecido daquela situação, depois de orar, tirou do seu bolso a única moeda que tinha, o sustento da semana, e ofereceu ao casal.

Milagrosamente, naquele mesmo dia, alguém lhe procurou e trouxe um envelope cheio de dinheiro. Esta experiência ensinou a Hudson Taylor que Deus era o seu provedor.


 

Partida Para China

Taylor deixou a Inglaterra no dia 19 de Setembro de 1853 antes de completar os seus estudos médicos, com 21 anos, e associado à Sociedade de Evangelização Chinesa, chegando em Xangai, China, no dia 1 de Março de 1854. A quase desastrosa viagem no navio “Dumfries” pela passagem Leste próxima à Pulau Buru durou cerca de 5 meses, com intempéries e perigos de morte.

Na China, ele foi imediatamente confrontado com a guerra civil, tornando o seu primeiro ano no país um tanto tumultuado, e Xangai havia sido tomada por rebeldes. Por isso, todos os missionários estavam nas cidades da costa, e envolvidos mais com o comércio e a política externa, do que verdadeiramente com a evangelização da nação. Ao juntar-se com outros missionários ingleses, residentes daquela mesma cidade, Hudson notou a grande deficiência da evangelização no interior do país.

Ponderando tudo isso em seu coração, Hudson decidiu que haveria de trabalhar no interior da China, onde o evangelho não tinha sido levado. Assim, ele começou o seu trabalho distribuindo literatura e porções bíblicas para as vilas ao redor de Xangai, sendo uma delas Sungkiang. Taylor fez 18 viagens de pregação na área de Xangai começando em 1855, mas frequentemente era mal recebido pela população, mesmo trazendo consigo kits médicos e habilidades.

Taylor percebeu que para onde viajava era chamado de “diabo preto” por causa do sobretudo que vestia. Sendo assim, ele decidiu adotar os costumes da terra, vestindo-se como um chinês, deixando seu cabelo crescer e fazendo uma trança, como os outros chineses. Este ato conquistou o respeito de muitos chineses, porém, para os missionários ocidentais, uma falta de senso.

Em 1856, Hudson começou a trabalhar na cidade proeminente de Ningpo. Ali, se casou em janeiro de 1858 com a senhorita Maria J. Dyer, filha de missionários, porém orfã, que trabalhava numa escola para meninas. Um ano depois, Hudson assumiu a direção da Missão Hospitalar de Londres em Ningpo. Não só Deus o prosperou, como muitos dos doentes aceitaram a Jesus e se recuperaram de suas enfermidades. Ele começou a orar por mais missionários para o país.


 

Volta à Inglaterra

Depois de estar sete anos na China, Hudson regressou à Inglaterra por motivos de saúde. Ao partir em 1860 para a Inglaterra, não imaginava que estaria seis anos longe do campo. Apesar da distância, o seu coração estava ligado à China. De frente a um mapa da nação, todos os dias ele orava, pedindo que Deus enviasse pessoas dispostas a ganhar as almas chinesas. Juntamente com o Sr. F. Gough, Hudson fez a revisão do Novo Testamento para o chinês e escreveu vários artigos sobre as missões na China.


 

Os Anos de Provação

Ao recrutar alguns missionários, Taylor viu a necessidade de ter uma missão que suportasse e direcionasse esses novos missionários no interior da China. Para este fim, é que a “Missão para o Interior da China(China Inland Mission) foi fundada. Durante o tempo que esteve na Inglaterra, enviou cinco obreiros para a China, e em 1864, Hudson pediu a Deus 24 missionários, dois para cada província já evangelizada no interior e dois para a Mongólia.

Deus assim cumpriu o seu desejo, e em 26 de maio de 1866, Hudson e Maria, seus quatro filhos e os 24 missionários estavam embarcando no navio Lammermuir em direção à China. Estabelecidos em Ningpo e em Hangchow, o trabalho missionário começou a se expandir para o sul da província de Chekiang. Dez anos depois, o norte de Kiangsu, o oeste de Anhwei e o sudeste de Kiangsi tinham sido alcançados. Em um período de três anos, Hudson sofreu a perda de sua filha mais velha Gracie, seu filho Samuel, seu filho recém-nascido, e em julho de 1870, sua esposa também morre de cólera. Mesmo passando por este vale, Hudson Taylor não desistiu de sua chamada para a grande China.


 

Novos Horizontes

Em 1871, quando voltava para visitar o restante de seus filhos que haviam sido enviados à Inglaterra, Taylor teve a oportunidade de viajar com uma grande amiga e missionária na China, Jennie Faulding, com a qual se casou em 1872 na Inglaterra. Entre 1876 e 1878 muitos outros missionários vieram dar o seu apoio no campo, vindos de todas as partes do mundo. Hudson esteve por alguns meses acometido de uma enfermidade na coluna, a qual o paralisou, porém, ainda na cama, ele conseguiu enviar dezoito novos missionários para a China. Milagrosamente, depois de muitas orações, Deus o curou e ele voltou a caminhar com saúde completa.

Em 1882, Hudson orou ao Senhor por 70 missionários, e fielmente Deus proveu os missionários e o suporte para cada um deles. Em 1886, Hudson toma outro passo de fé, e pede ao Senhor 100 missionários. Milagrosamente, 600 candidatos se escreveram vindos da Inglaterra, da Escócia e da Irlanda, se prontificando para o trabalho. Em novembro de 1887, Hudson anuncia alegremente a partida dos cem missionários para a China.

O trabalho da Missão se espalhou por todo o interior do país, segundo o desejo de Hudson Taylor, e no final do século, metade de todos os missionários evangélicos do país estavam ligados à Missão.

Em outubro de 1888, depois de haver visitado os Estados Unidos e Canadá, Hudson parte mais uma vez em direção à China, acompanhado de sua esposa e mais 14 missionários. Durante os próximos quinze anos, Hudson dispendeu o seu tempo visitando a América, Europa e Oceania, recrutando missionários para China. O desafio agora não era apenas de cem, mas de mil missionários.


 

Sua última viagem

Em abril de 1905, com 73 anos, Hudson Taylor faz a sua última viagem à China. Sua esposa Jennie havia falecido, e ele tinha passado o inverno na Suécia. Seu filho Howard, que era médico, juntamente com sua esposa, decidiram acompanhar Hudson nesta viagem. Ao chegar em Xangai, ele visita o cemitério de Yangchow, onde sua esposa Maria e quatro de seus filhos foram sepultados, durante o seu trabalho naquele grande país. Após haver percorrido todos as missões estabelecidas pela sua pessoa, Hudson Taylor, estabelecido agora na cidade de Changsa, deitou-se numa tarde de 1905 para descansar, e deste sono acordou nas mansões celestiais.

A voz que cinquenta e dois anos atrás havia dito a Hudson Taylor: “Vai à China”, agora estava dizendo:

“Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco fostes fiel, sobre muito te colocarei; ENTRA NO GOZO DO TEU SENHOR!”


“Uma vida pela China”

Assista o filme baseado na história de Hudson Taylor e sua missão na China.

(Assista o filme sobre a vida de Hudson Taylor)

Fontes:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Hudson_Taylor
http://www.sepoangol.org/hudson.htm
http://biografiadosheroisdafe.blogspot.com/2010/01/hudson-taylor.html
http://www.elcristianismoprimitivo.com/vida_familiar_hudson_taylor.htm
https://deservientes.files.wordpress.com/2011/04/o-segredo-espiritual-de-hudson-taylor.pdf

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