O país que eu vivo


por Emerson,
do Oeste Africano


 

…, sede firmes, inabaláveis e sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que, no Senhor, o vosso trabalho não é vão.” (1 Coríntios 15:58).

 

Algumas pessoas já me perguntaram sobre “o país que eu vivo“, para que eu dissesse coisas interessantes, que chamassem mais a atenção em relação ao país e a cultura.

Nas primeiras vezes fiquei um pouco intimidado e respondi, talvez um tanto quanto sarcástico, que o “país que eu vivo” era muito bom. Nas outras vezes fui impelido por algo a ser sincero. Disse categoricamente que no “país que eu vivo” não havia nada de muito interessante.

Fiquei intrigado com minha resposta, pensando que havia feito uma análise pessimista. Talvez essa percepção seja pelo fato de sermos obrigados muitas vezes a ver a recompensa instantânea em relação a uma mudança para melhor para minha família.

Por exemplo, faço missões transcultural mais ganho algo em troca como uma outra língua aprendida, cultura, conhecimento, crescimento, admiração etc. Em um dado momento isso pode funcionar e até ser bom, mas haverá momentos que tudo isso não fará sentido pois haverá lugares e situações que todas essas coisas “ganhas” ficarão para trás.

“Talvez você irá me questionar a respeito da minha vocação. Você tem razão,… Até mesmo eu às vezes questiono!”

O “país que eu vivo”, no Oeste Africano, é para mim um exemplo disso. Aqui há muita pobreza, uma religião que cega quase toda a população, uma cultura totalmente imergida no islã e pouca educação por conta dos problemas estruturais do país. Estamos literalmente em um deserto, com escassez de inúmeras coisas.

Há possibilidades remotas de se fazer amizades verdadeiras pois todos nos olham com interesse por conta das necessidades. Quando saímos nas ruas somos o alvo de milhares de pedintes, realmente eu poderia enumerar diversas coisas ainda e talvez você irá me questionar a respeito da minha vocação. Você tem razão,… Até mesmo eu às vezes questiono! Às vezes me pergunto se realmente posso continuar a fazer isso. Posso dizer que há pouco o que me atrai aqui.

No “país que eu vivo” envelhecemos mais rápido que o normal por conta do calor e do estresse. A língua francesa, oficial do país, pouco me atrai, ainda assim me esforço em ter um bom nível para poder me comunicar bem. O custo de vida é, ao menos, quatro vezes maior que meu país natal. Estamos longe de todos que amamos e sinto me “emburrecendo” a cada dia que passa. Ainda assim vejo que Deus nos trouxe e nos quer aqui.

Podemos esperar que haverá recompensa de nosso Senhor e que iremos nos alegrar com o fruto deste tempo.

Recentemente li num devocional do Dr. M. LLoyd-Jones, que a vida de Jesus era um tanto quanto entediosa aqui. Ele estava todo o tempo cercado de pessoas com problemas e dificuldades e ainda essas pessoas não entendiam o que Ele falava, não o compreendiam. Ainda assim Ele continuou firme, pois este era o propósito do Pai.

Ler isso me confortou muito, pois entendi que o que eu sinto pelo “país que eu vivo” é autêntico e posso expressar isso sem medo pois o próprio Senhor vivenciou isso, deixando o céu de Glória, habitando em meio a homens pecadores, insensíveis e cheio de problemas como nós. Mesmo assim Ele seguiu em frente, não fazendo caso disso pois tinha diante d’Ele a promessa do Pai, de que iria honra-lo fazendo-o Rei e Senhor.

Guardado as devidas proporções, posso dizer que podemos caminhar nessa esperança. Podemos esperar que haverá recompensa de nosso Senhor e que iremos nos alegrar com o fruto deste tempo.

Que Deus nos ajude a entender a Sua vontade sobre nós, independentemente de onde estejamos. Que caminhemos olhando para Ele somente, pois Ele é o nosso refúgio e as coisas não acabam aqui, na eternidade iremos gozar de coisas inimagináveis! Ah, como anseio por este dia! Mas, por enquanto, quero caminhar o Caminho que Ele planejou para mim.


Emerson, e sua família, são missionários em um país do Oeste Africano.

 


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